TRATAMENTO CONSERVADOR:
O tratamento clínico do RVU baseia-se no fato de que a grande maioria das crianças tem resolução espontânea do refluxo durante o crescimento da crianças, principalmente RVU de baixo grau (I a III).
De acordo com a Associação Americana de Urologia (AUA), o refluxo vesicoureteral pode desaparecer espontaneamente em 90% dos casos, no grau I, e 80%, no grau II, após cinco anos. Já no refluxo grau III, a resolução espontânea é mais frequente em pacientes de menor idade e nos casos unilaterais, sendo de 60% nos casos unilaterais diagnosticados no primeiro ano de vida e de apenas 10% nos casos bilaterais e em idade superior a seis anos.
Os portadores de refluxo vesicoureteral grau IV apresentaram resolução espontânea de 45%, nos casos unilaterais e 10% nos casos bilaterais.
Antibioticoprofilaxia
Está associada a uma significativa redução de episódios de ITU, mas não de novas cicatrizes. Meta-análises recentes têm demonstrados benefícios da PAM em lactentes com todos os graus de RVU.
Sendo assim, a antibioticoprofilaxia está recomendada em lactentes e crianças que ainda não terminaram o treinamento esfincteriano e que apresentem RVU graus III a V.
Entretanto aqueles com RVU graus I e II também parecem se beneficiar da antibioticoprofilaxia. A identificação de fatores preditores da resolução do RVU podem contribuir para o aconselhamento familiar no momento do diagnóstico e auxiliar na escolha de estratégias de tratamento.
Tratamento Cirúrgico:
O objetivo do tratamento do RVU é a preservação da função renal, minimizando o risco de pielonefrite, e se baseia nos fatores de risco de cada paciente, como idade, sexo, grau. Disfunção vesical, anormalidades anatômicas e função renal.
INDICAÇÕES
Absolutas
- ITU de repetição a despeito da antibioticoprofilaxia.
- Cirurgia deve ser considerada se for a preferência dos pais.
Relativas
- Persistência de RVU grau II a V em pacientes assintomáticos.
- RVU de grau II a V em pacientes com cicatrizes renais.
- Pacientes com dificuldades de acompanhamento clínico e acesso a serviço de saúde.
- Persistência do RVU em meninas após os 5 anos de idade.
Tratamento Endoscópico
A cirurgia endoscópica é o procedimento menos invasivo para o tratamento do RVU.
Algumas são as vantagens:
- Baixa morbidade.
- Procedimento ambulatorial.
- Caráter minimamente invasivo.
- Possibilidade de reaplicação.
CIRURGIA ABERTA
Todas as técnicas apresentam altas taxas de sucesso (acima de 95%).
As complicações incluem a possibilidade de obstrução (2%) e refluxo contralateral (9%).
A escolha da técnica depende do grau de dilatação do ureter, se o refluxo é uni ou bilateral, a presença de outras obstruções e a preferência do cirurgião.
As técnicas mais utilizadas são: extravesical de Lich-Gregoir, intravesical de Cohen ou de Glenn-Anderson e combinada intra e extravesical de Politano-Leadbetter.
CIRURGIA LAPAROSCÓPICA E ROBÓTICA:
As técnicas laparoscópicas e robóticas ainda não foram incorporadas de forma rotineira no tratamento cirúrgico do RVU.
Em mãos experientes e habituadas a essas técnicas, elas podem ser utilizadas com mesma taxa de sucesso.