O QUE É?

O Refluxo Vesicoureteral (RVU) é quando ocorre a volta da urina da bexiga em direção aos ureteres e rins.

O diagnóstico pré-natal de RVU pode ser presumido através da evidência ultrassonográfica de hidronefrose fetal, enquanto que o diagnóstico pós-natal de RVU geralmente é feito após a ocorrência de infecção de trato urinário (ITU).

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é feito por método de imagem, com visualização de contraste refluindo da bexiga para os ureteres.

Cistouretrografia Miccional(CUM):

A Cistouretrografia Miccional (CUM) permite o diagnóstico e a classificação do RVU bem como a avaliação da anatomia do trato urinário inferior (bexiga e uretra).

Cistouretrografia Miccional permanece sendo o principal exame para o diagnóstico e avaliação inicial do RVU.

A classificação proposta pelo International Reflux Study Committee é universalmente aceita como padrão ouro, e a gravidade do refluxo é determinada em graus de I a V.

CISTOCINTILOGRAFIA RADIOISOTÓPICA DIRETA(CRID):

A Cistocintilografia Isotópica Direta pode substituir a radiológica para o diagnóstico ou acompanhamento dos pacientes portadores de RVU.

Nesse método, um traçador radioisotópico (geralmente o ácido dietiltriaminopentaacético – DTPA) é infundido pela uretra e as imagens são obtidas durante o enchimento e esvaziamento vesical através de uma gama câmara. Esse método tem sido mais usado durante o acompanhamento clínico ou na avaliação após o tratamento cirúrgico.

Principais fatores preditores da resolução espontânea:

  • GRAU DO RVU

Quanto maior o grau do RVU, menores as chances de resolução espontânea. Refluxos de graus dilatados (IV e V), apresentam probabilidade de resolução espontânea de 5 a 20%, enquanto nos RVU graus I e II está acima de 80%.

  • LATERALIDADE

RVU bilaterais de alto grau (III a V) apresentam menor probabilidade de resolução espontânea.

  • ITU - INFEÇÃO DO TRATO URINÁRIO

O desenvolvimento de episódio de ITU durante o seguimento clínico é um fator preditor negativo para resolução espontânea.

  • DIÂMETRO DO URETER DISTAL

O diâmetro do ureter distal parece ser um fator preditor independente de resolução espontânea do RVU.

  • ANOMALIAS ASSOCIADAS

A presença de duplicidade pieloureteral e divertículo paraureteral são fatores relacionados a redução da resolução espontânea.

TRATAMENTO CONSERVADOR:

O tratamento clínico do RVU baseia-se no fato de que a grande maioria das crianças tem resolução espontânea do refluxo durante o crescimento da crianças, principalmente RVU de baixo grau (I a III).

De acordo com a Associação Americana de Urologia (AUA), o refluxo vesicoureteral pode desaparecer espontaneamente em 90% dos casos, no grau I, e 80%, no grau II, após cinco anos. Já no refluxo grau III, a resolução espontânea é mais frequente em pacientes de menor idade e nos casos unilaterais, sendo de 60% nos casos unilaterais diagnosticados no primeiro ano de vida e de apenas 10% nos casos bilaterais e em idade superior a seis anos.

Os portadores de refluxo vesicoureteral grau IV apresentaram resolução espontânea de 45%, nos casos unilaterais e 10% nos casos bilaterais.

Antibioticoprofilaxia

Está associada a uma significativa redução de episódios de ITU, mas não de novas cicatrizes. Meta-análises recentes têm demonstrados benefícios da PAM em lactentes com todos os graus de RVU.

Sendo assim, a antibioticoprofilaxia está recomendada em lactentes e crianças que ainda não terminaram o treinamento esfincteriano e que apresentem RVU graus III a V.

Entretanto aqueles com RVU graus I e II também parecem se beneficiar da antibioticoprofilaxia. A identificação de fatores preditores da resolução do RVU podem contribuir para o aconselhamento familiar no momento do diagnóstico e auxiliar na escolha de estratégias de tratamento.

Tratamento Cirúrgico:

O objetivo do tratamento do RVU é a preservação da função renal, minimizando o risco de pielonefrite, e se baseia nos fatores de risco de cada paciente, como idade, sexo, grau. Disfunção vesical, anormalidades anatômicas e função renal.

INDICAÇÕES

Absolutas

  • ITU de repetição a despeito da antibioticoprofilaxia.
  • Cirurgia deve ser considerada se for a preferência dos pais.

Relativas

  • Persistência de RVU grau II a V em pacientes assintomáticos.
  • RVU de grau II a V em pacientes com cicatrizes renais.
  • Pacientes com dificuldades de acompanhamento clínico e acesso a serviço de saúde.
  • Persistência do RVU em meninas após os 5 anos de idade.
 

Tratamento Endoscópico

A cirurgia endoscópica é o procedimento menos invasivo para o tratamento do RVU.

Algumas são as vantagens:

  • Baixa morbidade.
  • Procedimento ambulatorial.
  • Caráter minimamente invasivo.
  • Possibilidade de reaplicação.

CIRURGIA ABERTA

Todas as técnicas apresentam altas taxas de sucesso (acima de 95%).

As complicações incluem a possibilidade de obstrução (2%) e refluxo contralateral (9%).

A escolha da técnica depende do grau de dilatação do ureter, se o refluxo é uni ou bilateral, a presença de outras obstruções e a preferência do cirurgião.

As técnicas mais utilizadas são: extravesical de Lich-Gregoir, intravesical de Cohen ou de Glenn-Anderson e combinada intra e extravesical de Politano-Leadbetter.

CIRURGIA LAPAROSCÓPICA E ROBÓTICA:

As técnicas laparoscópicas e robóticas ainda não foram incorporadas de forma rotineira no tratamento cirúrgico do RVU.

Em mãos experientes e habituadas a essas técnicas, elas podem ser utilizadas com mesma taxa de sucesso.

Convênios

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