O QUE É?

A hipospádia é a anomalia da genitália externa em meninos mais frequente, com uma incidência de 3 a 5 casos para 1.000 nascimentos.

É definida pela presença do meato uretral (orifício do pênis) na face ventral (anterior) do pênis, e não na extremidade da glande, resultante do desenvolvimento incompleto da uretra, corpos esponjosos e prepúcio.

Há algum risco de transmissão familiar. Quando um filho tem hipospádia, há chance de outro membro ser envolvido em 20% dos casos.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da hipospádia é feito por meio do exame físico, sendo a presença de um prepúcio exuberante e redundante, apenas na face dorsal, o único sinal percebido pelos pais, chamado de prepúcio em capucho.

A abertura da uretra é identificada numa posição anômala, sendo que muitas crianças urinam na posição sentada.

A classificação da hipospádia é feita de acordo com a posição do meato uretral:

  • anterior (70% dos casos) — glandular, coronal e peniana anterior;
  • média (10% dos casos) — peniana média;
  • posterior (20% dos casos) — peniana posterior, penoscrotal, escrotal e perineal.

TRATAMENTO

O tratamento cirúrgico é a única opção, e tem como objetivo a correção estética e funcional da genitália masculina.

Do ponto de vista funcional, o mau posicionamento da uretra acarreta num jato urinário anômalo, levando a maioria das crianças a urinar sentadas, o que deve ser corrigido.

A curvatura peniana ventral congênita representa outro aspecto funcional a ser corrigido, devido ao encurvamento do pênis e dor durante a ereção, o que pode dificultar as relações sexuais futuras.

QUANDO OPERAR?

A idade ideal para a cirurgia é entre os 6 e 18 meses de vida, considerando-se que a hipospádia está frequentemente associada a efeitos psicológicos negativos na criança.

Em casos graves, que requerem dois estágios, o segundo estágio pode ser executado após cicatrização completa da ferida, cerca de seis meses depois do reparo inicial.

A cirurgia precoce evita a ansiedade da separação dos pais e o medo da cirurgia genital antes do reconhecimento desses órgãos pela criança e de sua deambulação.

Podemos operar de maneira flexível entre o segundo e terceiro ano de idade, porém evitando-se postergar a indicação além da idade escolar ( 5 a 6 anos de idade).

QUAIS AS COMPLICAÇÕES DA CIRURGIA?

Mesmo em mãos experientes, a correção cirúrgica de hipospádia é tecnicamente delicada, podendo apresentar resultados não tão satisfatórios, principalmente nas hipospádia proximais e com encurvamento peniano importante, necessitando de várias cirurgias para resolução do problema.

As complicações podem ocorre em qualquer procedimento, sendo as mais f requentes:

  • Fístula uretral (vazamento de urina no local da cirurgia) - 20 a 40% dos casos.
  • Estenose da uretra (estreitamento da luz) com necessidade de dilatações regulares ou reoperações.
  • Encurvamento residual.
  • Aspecto estético insatisfatório.

A avaliação e acompanhamento de um Urologista Pediatra, familiarizado com as técnicas e aspectos importantes do tratamento cirúrgico das hipospádias, é um ponto fundamental para se obter um bom resultado, apesar de ainda ser um dos temas mais complexos da Urologia Pediátrica.

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