COMO SE TRATA A DISFUNÇÃO DO TRATO URINÁRIO INFERIOR?
Há evidências que o pilar do tratamento da DTUI é a mudança comportamental. Deve-se seguir as seguintes orientações:
- Urinar em intervalos regulares 5 a 6 vezes ao dia
- Beber bastante líquidos durante o dia
- Não reter a urina na vontade iminente de urinar
- Postura miccional correta
Toda criança que ainda não tem micção voluntária, ou seja, ainda não tem o treinamento miccional, com infecção urinária, mesmo no primeiro episódio, mesmo afebril, deve ser investigada para refluxo. Aquelas com infecção urinária afebril, após o treinamento miccional não necessitam ser investigadas para refluxo. A investigação para refluxo se faz com cistouretrografia miccional. Esse exame é extremamente importante e não deve deixar de ser realizado. Passa-se uma sonda até a bexiga, por onde será administrado o contraste iodado. Algumas radiografias são obtidas, as quais avaliarão se há retorno de urina para os ureteres e rins. Caso haja refluxo, normalmente as crianças são seguidas com cistouretrografia radioisotópica anual ou a cada 2 anos.
Em muitos casos, essas medidas não melhoram os sintomas da criança. Portanto, outros métodos precisam, muitas vezes, ser utilizados.
O tratamento da DTUI vai variar se há presença de bexiga hiperativa ou micção disfuncional.
A bexiga hiperativa, quando há presença de urgência para urinar e comumente perdas urinárias na roupa durante o dia, pode ser tratada com medicações anticolinérgicas, como a oxibutinina. A chance de sucesso é de cerca de 70%. Entretanto, essas drogas algumas vezes apresentam alguns pequenos efeitos indesejáveis, como boca seca, constipação e intolerância ao calor. Esses efeitos melhoram rapidamente quando a medicação é suspensa.
Outro tratamento que tem emergido como um excelente método é a eletroneuroestimulação. Eletrodos de superfície são colocados na região parassacral e os nervos que controlam a bexiga são ativados, melhorando os sintomas em cerca de 90% dos casos. Não há dor e a criança sente um leve formigamento na região estimulada. O nosso grupo, o CEDIMI, modificou o esquema de eletroneuroestimulação que era realizada diariamente por uma a 2 horas, por meses, para um esquema de curta duração. Nesse nosso esquema, a criança é estimulada 3 vezes por semana, com sessões de 20 minutos. Esse método de curta duração tem a vantagem de maximizar o tratamento com a intensidade de corrente mais adequada e o contato mais próximo com a terapeuta, além da menor duração e maior adesão dos pacientes. Esse método pioneiro idealizado por nosso grupo já está sendo realizado em outros centros do Brasil e do mundo.
Caso as crianças com bexiga hiperativa não melhorem com os métodos descritos acima, a injeção na bexiga de toxina botulínica pode ser realizada.
Na micção disfuncional há uma incoordenação entre a contração da bexiga e o relaxamento do esfíncter da uretra. Nesse caso o método de tratamento mais efetivo é o biofeedback. Nesse caso, por meio de jogos de computador, a criança apresente a relaxar a musculatura da uretra durante a micção.
A avaliação de um Urologista Pediatra é importante na prevenção e no manejo dos distúrbios de micção na criança.